
Filme da chamada escola de Berlim,
Yella encerra a trilogia
Geister (que inclui
Die innere Sicherheit e
Gespenster). Os três filmes revelam uma característica comum, o facto de terem protagonistas sonâmbulos, incapazes de pertencerem à realidade e de estabelecerem ligações com os demais. Isso é um dado adquirido com
Yella, personagem principal que vacila entre a frieza natural e o medo de um ex-marido que a persegue insistentemente, enquanto ela tenta agarrar uma oportunidade de emprego e um novo companheiro, mas a sua aguerrida ambição irá provocar nova desgraça. Numa outra linha interpretativa, há quem leia em
Yella uma negra sina para o sistema financeiro alemão, que se comporta como se estivesse no controlo do seu destino, mas não passa de um fantasma.
Yella, percebe-se claramente a meio da película, consegue ver fantasmas, mas estamos longe de adivinhar que o filme iria sabotar-se no final. Aceita-se esse desfecho, mas não se entende claramente a sua razão de ser, nem a sua falta de originalidade.

Há igualmente quem veja em
Yella um
remake do filme
Carnaval das Almas, de 1962, devido a diversos elementos como um acidente de carro, uma inclinação para paisagens com água, um emprego obtido no local para onde se dirigiu após o acidente, a degradação da vida mesmo após uma segunda oportunidade e a descoberta das reais consequências do acidente inicial.

História com laivos sobrenaturais,
Yella é um filme frio e distante, passado num mundo financeiro cruel e corrupto, mas que permanece intangível, com a protagonista a demonstrar a sua perspicácia como negociadora, mas a falta de contexto transforma as suas jogadas em cartadas vazias. E vazio é também o final decepcionante, sem risco. Resta a presença valiosa de Nina Hoss, leão de prata de Berlim de Melhor Actriz.
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