Terra de Bravos, de Irwin Winkler
Em Hollywood, dos tempos da aventura épica (Patton, Os Canhões de Navarone, Os Doze Indomáveis Patifes), em que a Segunda Guerra Mundial era uma recriação dos westerns, passou-se para a desilusão e a humilhação do Vietname (O Caçador, Os Bravos do Pelotão), mas tudo o que bastou para vencer uma guerra já perdida foi a vingança de um herói (Rambo II).
No século XXI, a mensagem veiculada pelos filmes que se têm debruçado sobre a ocupação do Iraque é, no mínimo ambígua, para não alienar os apoiantes e os detractores do conflito, ambos potenciais espectadores. Ignorando a mensagem do filme Olho de Lince, de que um presidente dos EUA que seja responsável pela morte de concidadãos merece, ele próprio, a pena de morte, a tónica tem sido de choradinho (excepção da obra-prima No Vale de Elah, de Paul Haggis). Assim como Stop-loss, de Kimberley Peirce, Terra de Bravos observa um pelotão do exército destacado no Iraque que regressa à cidade natal após uma emboscada que vitimou companheiros de armas, e a instabilidade emocional provoca a incapacidade de adequação à vida civil.
Terra de Bravos tenta ser consciente, com as vozes contra a guerra a afirmarem que a sua única razão de ser foi a sede de petróleo e as vozes a favor a invocarem a libertação do povo iraquiano, mas rapidamente a pescada morde o rabo e o filme evidencia cansaço e repetição. Todos os soldados regressaram traumatizados, mas a acharem que fizeram uma coisa boa, havendo até quem queira regressar. As representações, no geral, são pobres. Samuel L. Jackson não convence nas cenas em que faz de bêbado, Jessica Biel não convence em nenhuma e 50 Cents cospe meia dúzia de palavras cheias de gafanhotos, de tal modo incompreensíveis que admira que tenha feito fortuna como rapper.
Mais conhecido como produtor, por exemplo, da saga Rocky, Irwin Winkler estabeleceu-se como realizador mediano, não juntando nada à sua carreira com este filme apagado.
Home of the Brave 2006
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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