A Promessa, de Chen Kaige
O filme com que a China concorreu aos Óscares de Melhor Filme Estrangeiro de 2005 é uma confusão desastrosa de melodrama ancestral e cenários gerados por computador, demasiado pretensioso para meios tão modestos. Um aborrecido pastelão cheio de máximas de bolinho da sorte, com personagens da espessura do papel e uma péssima actriz principal (Cecília Cheung), cuja incapacidade expressiva faz a mulher cobiçada estar longe de ser merecedora.
O realizador de Adeus Minha Concubina (1993) e O Imperador e o Assassino (1998) já tinha perdido o jeito na canastrice de Killing Me Softly (2002), mas aqui está completamente à nora. Autor do guião, tentou criar a sua própria mitologia e evidenciou apenas as suas limitações em credibilidade e criatividade. As roupas esvoaçantes enfastiam, os cenários parecem feitos de aguarela pastosa, algumas cenas de acção podiam ter sido roubadas do chão da sala de montagem de uma adaptação do Astérix (a corrida à frente dos touros) e os combates de artes marciais são tão confrangedores quanto mal ensaiados. Falta ao filme magia, encanto, sensualidade, energia e bons diálogos.
Ang Lee, com O Tigre e o Dragão, relançou o género em 2000, e desde então outros realizadores tentaram capitalizá-lo, com Zhang Yimou (Esposas e Concubinas, Herói, O Segredo dos Punhais Voadores e A Maldição da Flor Dourada) e Feng Xiaogang (Inimigos do Império, 2006) muito à frente de Chen Kaige.
Wu Ji 2005
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home