Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Juízo Final, de Neil Marshall

Juízo Final abre com uma excelente narração de Malcom McDowell e, a acompanhá-la, está a mais eficiente e económica forma de apresentar o problema. Encaminha-se, de seguida, para uma auspiciosa reencenação da chegada de Ripley ao planeta de Aliens, mas a partir daí faz uma curva fechada na direcção dos Lost Boys dos Duran Duran, regados com La Fura Dels Baus, envereda pelas Highlands de Conan McLeod (cabeças cortadas é o que não falta) e fecha com uma visita a Mad Max 2 O Guerreiro da Estrada.

Are you not entertained?, parece gritar o realizador, da arena do coliseu, imitando Russell Crowe em O Gladiador. E, ainda que talvez não fosse este o filme que esperaríamos de Neil Marshall, teremos de responder, em coro e excitação, sim! O homem que iniciou a carreira com uma medíocre fita de lobisomens (Lobos Assassinos, 2002) e compensou com uma obra prima de suspense de cortar à faca (A Descida, 2005, com sequela prevista para 2009, dirigida pelo estreante Jon Harris) traz-nos agora uma aventura inesperada, escrita por si (para não variar), sem o menor respeito pela credibilidade ou pela lógica, mas que acaba por funcionar (ainda que não em pleno) quando o efeito de torpor provocado pela surpresa se esfuma.

Há um vírus mortal à solta na Escócia e a mesma foi selada por um muro gigantesco, guardado vinte e quatro horas por dia para evitar fugas. Vinte e cinco anos depois, assiste-se a um novo surto em Londres e uma equipa especial de comandos é enviada para a zona de quarentena à procura da cura, já que há relatórios de sobreviventes da primeira epidemia. A partir daí, a palavra de ordem é: desordem. Punks pós-apocalípticos nas cidades e castelos medievais nas altas encostas escocesas, decapitações, canibalismo (ao som dos antigos Fine Young Cannibals), perseguições e acção, naquele que é o filme que John Carpenter sempre sonhou fazer, mas apenas conseguiu rastejar vergonhosamente em Nova Iorque 1997 (1981) e Fantasmas de Marte (2001).

Rhona Mitra é o novo rosto de heroina implacável, depois de Sigourney Weaver (Alien), Mila Jovovich (Resident Evil), Linda Hamilton (Terminator) e Carrie-Anne Moss (The Matrix). Enquanto não chega a nova Red Sonja de Rose McGowan, Rhona Mitra dá o corpo ao manifesto, e nunca este foi tão bem aproveitado. O combate corpo a corpo mais improvável de sempre é apenas a ponta do iceberg. Com a Escócia e a Inglaterra a serem em grande parte filmadas na África do Sul, Bob Hoskins é outro rosto que mostra que ainda não morreu.

Uma vez que a Bentley não é partidária de product placement, a produtora comprou três Bentley Continental GT Speed, por 150 mil dólares, mas de que interessa ter um super carro quando este não é mais rápido que o monte de sucata que o persegue? Esta e outra perguntas ficarão obviamente sem resposta, mas uma coisa é certa: a direcção de fotografia é fabulosa, os enquadramentos são cuidadosos e o ritmo é em crescendo. Por um resultado destes, não faz mal engolir alguns sapos.

Doomsday 2008

2 Comments:

Blogger Carlos Martins said...

... e eu a pensar que ias assassinar o filme! :)

Cá pra mim só lhe perdoaste por ser com a Rhona Mitra. ehehe

10/16/2008 8:54 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

a ser sincero, a rhona nunca me aqueceu nem arrefeceu, tanto mais que a sua carreira tem sido muito discreta e mais feita de baixos do que de altos, e praticamente é sempre uma secundária.

para além disso, a rhona é uma actriz de talentos muito limitados.

contudo, para este filme, ela está à altura, como por exemplo o stallone está para o género no masculino. ela tem o corpo, a voz e a atitude para ser uma boa actriz de acção, e com este filme até me faz lamentar que não tenha sido escolhida para representar a lara croft em vez da angelina, que sempre foi demasiado escanzelada. e a rhona foi a primeira manequim de carne e osso a interpretá-la para as promoções dos jogos, pelo que seria previsível que a tivesse representado também no cinema.

mas a angelina estava em alta...

quanto ao filme, receei o pior no momento fura dels baus, mas a coisa voltou a encarreirar, receei o pior quando vi os highlanders a cavalo e de armadura, mas a coisa voltou a encarreirar...

adorei o bentley, mas a pergunta permanece: como é que um carro daqueles não acelerava mais do que os calhambeques dos punks?

de qualquer forma, é um bom filme de imponderáveis e de acção, que foge a todos os espartilhos e cospe na cara de todas as convenções :D

10/16/2008 11:13 PM  

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