Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Eu Servi o Rei de Inglaterra, de Jirí Menzel

Filme leve e sensível sobre um homem que nunca parece realmente ser tocado pela realidade que o rodeia e que começa o filme sentindo-se afortunado por a sua pena de prisão de quinze anos ter sido comutada por uma amnistia, que a encurtou em três meses. De uma personalidade bem humorada e um charme assente na ingenuidade, ele avança a sua vida através de flashbacks que o conduzem dos anos 20 aos 60, com um assento mais dramático durante o período da segunda guerra mundial, na qual ele se comporta como uma espécie de Charlot falante, defendendo a liberdade e o amor sem o vínculo da nacionalidade, ao apaixonar-se por uma alemã durante a hegemonia nazi.

É o filme de mais alto orçamento jamais feito na República Checa, pelas mãos de um realizador-argumentista com mais de vinte cinco filmes em carteira. Baseado no romance do proeminente Bohumil Hrabal, o filme mantém o comentário político a um mínimo, engrenando antes pela constatação da existência humana na sua forma mais simples, tirando prazer das pequenas experiências com uma joie de vivre capaz de tocar-nos, proveniente de uma cultura diferente da nossa e que convém conhecer para compreender. A curiosidade é aguçada pelo contraste chocante entre a sua situação actual de ex-presidiário e o seu desejo juvenil de tornar-se milionário. A resposta a essa dúvida chegará, e nem assim o filme perde o seu tom.

I served the King of England 2006

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