Destruir Depois de Ler, de Joel e Ethan Cohen
Depois de arrancarem à Academia um Óscar a sangue frio (Este País Não É Para Velhos, de 2007), os irmãos Cohen trazem idêntico profissionalismo a uma comédia desembaraçada. O título é enganador, mas serve para manter o suspense durante o tempo necessário à desconstrução dos géneros. História de enganos que se desdobra em infidelidades, Destruir Depois de Ler interliga diversas narrativas que se mesclam a bel-prazer, até uma conclusão que peca por desleixo.
Apesar de se notar claramente que, no final, os irmãos Cohen encolheram os ombros e varreram os fios soltos para debaixo do tapete, o filme desliza de forma bem oleada, dando palco suficiente para cada actor brilhar, ainda que o mesmo não aconteça às actrizes, de entre as quais apenas Frances McDormand consegue orientar-se (Tilda Swinton enviou a sua representação pelo correio, mas o seu papel não lhe pedia grande esforço). Entre os homens, Brad Pitt está impagável (num celebrado regresso aos seus papeis de puto) e a colocação de voz de John Malkovich é irrepreensível. A música de Carter Burwell, colaborador de longa data dos Cohen, flutua bem por entre os recantos e delineia com suavidade as diversas nuances de uma história que se não se pretende levar a sério. Um prazer enquanto dura, mas pode destruir-se depois de ver.
Burn After Reading 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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