Desejos Selvagens, de Tom Kalin
O melodrama mais apagado dos últimos tempos carrega de forma demasiado soporífera uma maldição que apenas se revela no desfecho, surpreendendo com dois lampejos de vitalidade, mas a provocação fica-se mais pelos temas do que pela abordagem acanhada.
Objecto à nora do significado de cinema, dá a sensação de que os actores se entretêm e a câmara apenas os filma distraidamente. A fotografia desmaiada não ajuda. Julianne Moore testa os seus limites com naturalidade e desprendimento, mas Desejos Selvagens nada tem de selvagem, com as suas feras demasiado habituadas à alimentação a horas certas do jardim zoológico.
História de uma família da classe alta entre 1946 e 1981, marcada por gostos sexuais que vão do sexo anal conjugal ao incesto, passando pela infidelidade e pela homossexualidade, mas que se vê com um bocejo e entre várias consultas ao relógio. Baseado no livro de Natalie Robbins e Steven Aronson, dramatização da tragédia de Barbara Daly Baekerland. É também uma forma de comprovarmos que a anorexia não é agradável à vista, especialmente quando se tem ancas disformes como as de Elena Anaya.
Savage Grace 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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