Domingo, Outubro 19, 2008

Adeus Amigo, de Jean Herman

Uma co-produção franco-italiana, um crime e duas das maiores estrelas do cinema negro da época, Alain Delon e Charles Bronson. Habituados a serem cabeças de cartaz, o enclausuramento de ambos na mesma película, e também numa cave com um cofre, não podia ser mais explosiva. Os dois estão iguais a si próprios e o filme aposta precisamente nessa diferença de aspecto e carácter. A imponência física e blasé de Bronson e a dignidade fria e superior de Delon servem o drama, já que ambos se encontram na mesma situação e têm de aprender a respeitar-se mutuamente.

Antes de fazer sucesso nos EUA, em 1974, com O Justiceiro da Noite, Charles Bronson já se consagrara na Europa, onde os franceses o intitulavam de “Monstro Sagrado” e os italianos de “Il Brutto”. No mesmo ano de Adeus Amigo, representou para Sérgio Leone em Era Uma Vez No Oeste e um ano antes fora um dos Doze Indomáveis Patifes de Robert Aldrich. Alain Delon, pelo seu lado, era uma estrela meteórica, fazendo dois a três filmes por ano durante toda a década de 1960, que abrira com Rocco e Os Seus Irmãos, de Luchino Visconti, e Plein Soleil, baseado no romance policial de Patricia Highsmith. Delon e Bronson voltariam a participar juntos em Sol Vermelho, e Terence Young (1971).

Também conhecido pelo título Honra Entre Ladrões, não há dúvida de que esse é o verdadeiro cerne de Adeus Amigo, com as diversas reviravoltas a porem a regra à prova. De torcer o nariz fica apenas o excesso de acasos. Uma mulher procura um militar específico, mas conta todo o seu plano ao primeiro jeitoso (Alain Delon) que lhe aparece. O plano necessita de um médico que faça o check-up aos empregados de uma empresa e o jeitoso é contratado. A personagem de Charles Bronson aparece por milagre no local onde irá decorrer a mais longa fase da trama.

Escrito e realizado por Jean Harmon, o filme conta com diálogos da autoria de Sébastian Japrisot. Apelidado de o Graham Greene francês, Japrisot é um multi-premiado escritor, argumentista e realizador com títulos como Verão Assassino, História d’O, Um Longo Domingo de Noivado e Carruagem 4 Compartimento Assassino. O Passageiro da Chuva, de 1970, voltou a reunir Japrisot e Charles Bronson.

Num filme cuja melhor nota é o ambiente misterioso e claustrofóbico, as cenas de pugilato são, infelizmente, amadoras e filmadas sem realismo (o agredido está constantemente à espera da agressão e ainda assim não roda a cabeça de forma sincronizada), nomeadamente aquela que envolve os protagonistas e antecede a cena homoerótica em tronco nu.

Não sendo um filme memorável, Adeus Amigo é escorreito e deixa brilhar as suas estrelas sem se lhes submeter. Apesar de alguns facilitismos para manter a bola a rolar, permanece intrigante até ao desfecho.

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Adieu L’Ami 1968

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