Sexta-feira, Setembro 19, 2008

O Pequeno Grande Dave, de Brian Robbins

Confesse-se, logo à cabeça, que o filme é infeliz. A sua história está cheia de incongruências e buracos negros que sugam toda a lógica. Há momentos tão absurdos e idiotas que só podemos recear pelo futuro da carreira de Eddie Murphy e dos cérebros lobotomizados que a gerem. Por outro lado, qual carreira (Brian Robbins e Eddie Murphy são os responsáveis pelo deplorável Norbit, do ano passado)?

Um orbe (do tamanho de uma bola de ténis) que visa sugar todo o sal dos oceanos, é lançado do espaço, mas aterra dentro de um apartamento de Nova Iorque. Ao fim de 3 meses, Dave aterra no jardim da estátua da liberdade, em busca do orbe e do sal. Ele parece um afro-americano de fato branco, mas é uma nave espacial desenhada para ter o aspecto físico de Eddie Murphy, operada no seu interior por uma tripulação de liliputianos que se vão deixando humanizar pelas idiossincrasias humanas que vão conhecendo ao longo de 48 horas.

Todos os contactos com pessoas são demasiado forçados e pecam por falta de credibilidade, além de que se entrega a identidade de Dave logo aos sete minutos, vindo com isso a acusar saturação em pouco mais de meia-hora. Contudo, reconhecem-se-lhe alguns momentos cómicos como a imitação de Andy Gibb ou a referência à Google e à Yahoo, mas as situações desinspiradas fazem pender incrivelmente a fasquia nessa direcção (um assalto à mão armada a uma mercearia, em plena luz do dia, por dois brutamontes). Apesar de alguns efeitos especiais serem razoáveis, a maior parte das situações de dupla imagem é muito pobre.

Há piadas que não se engolem como elementos da história. A ideia do fato branco revela-se um equívoco provocado pela única imagem da Terra que chegou ao planeta de origem dos extraterrestres, um excerto de um episódio da série Ilha da Fantasia, onde Ricardo Montalban e o seu imediato anão vestiam um fato branco; mas nenhum deles é negro. Dave é atropelado por um SUV que o lança à distância e ele só se fere no tornozelo. A mulher que o atropela, vê Dave no beco das traseiras do prédio onde mora e vai convidá-lo para a sua casa, com a desculpa de que queria ter a certeza de que ele não quer processá-la; mas, se ele fugira do local do acidente e ela já estava em casa e a salvo, mais valia estar quieta. E claro que tinha de ser no apartamento dela que o orbe tinha caído. Um molde feito no local onde Dave aterrou de cabeça permite a criação de um molde com o seu rosto para distribuir pela polícia (um molde feito num monte de terra, atenção). Dadas as proporções entre o Dave-nave e os seus tripulantes, nunca a sala de controlo poderia ter as dimensões que tem (para isso, eles teriam de ser muito mais pequenos. ).

Aparte a confusão do argumento e o facto de quase nenhum facto colar com os restantes, o filme vale por um punhado de cenas, mas pode perfeitamente ser abandonado a meio, sob pena de se ter já visto o que de melhor tinha a oferecer. E quando digo melhor, quero dizer sofrível.

Meet Dave 2008

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