A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão, de Rob Cohen
Stephen Sommers é um visionário do entretenimento de série B. Quando, em 1999, as areias do deserto se elevaram com o ímpeto de Imhotep, assistiu-se ao regresso da grande aventura arqueológica que Indiana Jones deixara vaga dez anos antes (Indiana Jones e a Última Cruzada, 1989). A história passava-se nos anos 30, como convém ao género, e é uma montanha russa que não pára até ao final da sequela (O Regresso da Múmia, 2001), também ela escrita e realizada por Sommers, que inclusivamente destacou para uma cartada a solo o personagem muito secundário Rei Escorpião (2002), realizado por Chuck Russell.
Assim como Joss Wheddon, a energia primordial dos seus filmes não está nas peripécias mais emocionantes, mas na forma como os personagens se relacionam, como troçam constantemente uns dos outros e continuam amigos ou apaixonados. São as tiradas que soltam em momentos de aperto, ou quando se livram desses mesmos momentos críticos, que colam todos os elementos mumificados e fazem com que se encolham os ombros aos efeitos especiais mais baratos.
Stephen Sommers, já com um orçamento chorudo, desempoeirou (e de que maneira) a mítica figura do caçador de vampiros Van Helsing (2004) e tem actualmente entre mãos a recriação de G. I. Joe para 2009. Por isso mesmo, a Múmia estava órfã. Sem realizador-argumentista, fez-se a fuga para o lado. Em vez do Egipto, a China, e em vez de Imhotep o Imperador Dragão igualmente mumificado. Não demorou muito a associarem-se os dois elementos a Rob Cohen, já que os seus primeiros filmes de sucesso foram Dragão: A Vida de Bruce Lee (1993) e Coração de Dragão (1996).
Depois da saída de Sommers, também Rachel Weisz, que de início se mostrara entusiasmada com a perspectiva de fechar a trilogia, saltou fora. Numa primeira fase, invocou desacordo com o guião, mais tarde indicando que a sua nova qualidade de mãe dificultava as constantes viagens que o projecto exigia. Também o filho do casal de heróis mudou de actor, numa jogada sem grande sentido explicada pelo estúdio como um meio de reter um protagonista (Luke Ford) para mais três filmes. Mas fica difícil engolir um pai e um filho que na vida real têm apenas 13 anos de diferença (e 14 anos de diferença em relação à mãe), especialmente porque se nota.
A saída de Rachel Weisz implicou a sua substituição, e Maria Bello respondeu ao chamado. Apesar de já terem chovido críticas, a actriz não tenta emular Weisz e, já que a acção decorre uma década depois, pôde compor o seu próprio figurino. Jet Li é um rosto que já começa a fartar, mas Hollywood não larga um osso até o roer todo. Por sorte, os efeitos especiais cobrem o rosto de Li a maior parte do tempo.
Quanto ao filme, será com certeza o pior dos três, mas ainda assim cumpre na perfeição o seu objectivo de filme pipoca. A irreverência dos diálogos de Stephen Sommers é imitada tanto quanto possível por Alfred Gough e Miles Millar e a acção tem o efeito bola de neve, sem dar praticamente tempo para respirar. A duração da perseguição de charretes prenuncia isso mesmo, e se bem que o filme não volte a ter um momento tão alto, só nos apercebemos disso após a sua conclusão. Uma coisa é incontestável, A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão funciona muito melhor do que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que parece modesto em comparação A história tem muito mais fluidez, a acção é mais desbragada e Luke Ford prova que qualquer actor teria sido uma melhor escolha do que Shia LaBeof para filho de arqueólogo aventureiro.
Randy Edelman compôs a banda sonora (para Rob Cohen já compôs Dragão: A Vida de Bruce Lee, Coração de Dragão, Pânico no Túnel, Sciedade Secreta e xXx – Missão Radical), e John Debney adaptou-a às cenas de acção. Até agora, cada Múmia teve o seu compositor: Jerry Goldsmith, Alan Silvestri e agora Randy Edelman. Goldsmith permanece imbatível.
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
4 Comments:
eu podia perguntar-te: "se não gostas de cinema porque é que insistes?", dada a tua crítica quase sistematicamente demolidora. mas, vendo melhor, reparo que afinal até és capaz de teres boas intenções.acontece que - como à maioria dos bem intencionados - tens azar e só vês merdas.
eu podia dizer que é um sacrifício que faço para que os outros não tenham de fazê-lo, mas não respondo a anónimos.
Eita...to adorando isso. Anonimo, deixe o homem, ele fala mesmo.
O filme nao foi o que eu esperei. A gente ve o 1 e 2 e fica esperando que o 3 seja bom. Ficou massante, sem vida. Fiquei o filme todo pensando: "O primeiro foi melhor."
Hehe
Mas é isso ae.
Como costumo dizer, o terceiro filme eu so vi uma vez.
Diferente do primeiro e segundo,que veria e verei sempre que puder.
Ricardo... Um abraço
obrigado pela defesa e pela opinião, Sophie :)
eu também achei que o 3º é o pior e que o 1º é o melhor, mas ainda assim este 3º cumpriu a sua missão de entretenimento pipoca.
rachel weisz é a ausência mais notada.
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