Sexta-feira, Setembro 19, 2008

Corrupção, de João Botelho

Supostamente uma adaptação do livro “Eu, Carolina”, de Carolina Salgado, que passa a chamar-se Sofia para que a realidade não se confunda com a ficção. Infelizmente, a realidade nem sequer entra na equação. O cinema português tem a conotação de ser autista face ao seu público, mas este filme é-o até face ao próprio conceito de cinema. Nicolau Breyner diz, a dada altura “Os convidados que se fodam”, e da mesma maneira foi tratado o público.

Margarida Vila-Nova, de 24 anos, protagoniza, e lamenta-se. Provavelmente deram-lhe instruções nesse sentido, mas não aparenta a menor naturalidade, o seu registo é demasiado teatral, ao contrário do restante elenco, e como tal surge feita ave rara a voar tropegamente numa película se o menor aproveitamento.

Sofia, uma caixa de supermercado que trabalha numa boite à noite porque tem dois filhos, comporta-se como se não os tivesse, porque só lhos vemos a meio da fita, em algumas cenas que parecem ter sido incluídas à pressão, depois de se reparar que era demasiado notório que ela falava de filhos invisíveis. A trama é de um facilitismo a toda a prova, dependente das alarvidades debitadas em constante pose peneirenta pela enfadada Margarida. Ela desperta o interesse de um dirigente desportivo que para a posteridade ficará unicamente conhecido como Sr. Presidente (até os pivots televisivos assim o tratam, conduzindo o ridículo ao absurdo), e o que poderia ser um dedo na ferida do maior escândalo futebolístico português não passa de meia dúzia de meias palavras e outras tantas acções já descarnadas até à exaustão aquando do processo judicial Apito Dourado, a situação de que o filme encapotadamente se apropria.

Tinta correu sobre as imposições do produtor Alexandre Valente no tocante à montagem do filme, que conduziu à demissão do realizador João Botelho, o qual se recusou a ver o seu nome associado à montagem de Alexandre Almeida. Sinceramente, não havia muito o que pudesse estragar-se, já que as filmagens foram todas feitas por Botelho e nelas se encontrava a nódoa. Aliás, não se encontrava outra coisa. Apesar de nada poder salvar a honra do convento, fala-se de uma montagem do realizador, a ser negociada pelos advogados de ambas partes.

Com um argumento incompetente de Leonor Pinhão (com tanto medo de falar demais, falou de menos), um realizador que do pouco fez nada, uma protagonista cabotina e outros a roer os ossos (Nicolau Breyner, Ruy de Carvalho, António Cerdeira), no meio de tanta falta de realismo só falta dizer que, se algum filme precisava de Soraia Chaves, era este.

Corrupção 2007

3 Comments:

Blogger Sarah said...

muito chique eu gostei

7/07/2009 12:48 AM  
Blogger Sarah said...

eu nao gostei nao e muito ruim nao faz sentido nenum

7/07/2009 12:49 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

em que ficamos, gostaste ou não?

7/07/2009 7:47 PM  

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