Sábado, Agosto 23, 2008

Surveillance 24/7, de Paul Oremland

Surveillance 24/7 começa como um Perigo Público (Tony Scott, 1998) dos pobres, indicando à cabeça que o filme foi inteiramente filmado por câmaras de segurança e CCTV(Close Circuit Television, sistema de video-vigilância policial do Reino Unido) e com a acusação de total falta de privacidade do cidadão comum, cujos movimentos são monitorados e controlados pelos Serviços Secretos diariamente.

Entusiasmado com a parte técnica da produção, o filme de Paul Oremland não se preocupou com absolutamente mais nada. A história, já sem contar os seus inúmeros buracos na estrutura lógica da narrativa, não passa de um fait-divers pindérico, que tenta ser empolado por uma construção míope e coxa. Míope, porque assenta na abordagem mais confusa possível do tema proposto; e coxa porque conduzida sem a mais ínfima sensibilidade ou know how.

Após uma noite de sexo com um desconhecido, um professor de liceu pode ser a última pessoa que viu o filho de um tycoon da comunicação vivo. A partir daí, vê-se alvo de uma conspiração que procura sonegar a prova de que um certo príncipe da coroa local é gay, para enterrar o escândalo. O filme atinge proporções tais de forma sobre conteúdo que o product placement do telemóvel Nokia N95 fica mais na retina do que os actores ou o enredo. E, por falar em actores, Sean Brosnan, filho do ex-007 do mesmo apelido (e, curiosamente, com o primeiro nome do 007 original), encontra-se entre eles, mas com um tempo de antena limitadíssimo.

A ideia de paranóia que se pretendia central está, pelo contrário, ausente, e as opções do argumento são de tal modo autistas que se tornam caricatas. Por exemplo, um transmissor GPS é secretamente plantado no blusão do professor, para nunca o perderem de vista, e o caríssimo nunca muda de blusão, por mais dias que passem. Ao contrário da história mil vezes repetida da troca acidental de malas, aqui o professor fica com o telemóvel do seu amante de ocasião, que é igual ao seu, mas nem se verifica a situação de troca: ele fica com os dois, o seu e o do outro. Claro que a prova do crime está lá, num ficheiro de vídeo, e também o número de telefone do homem que, ainda a meio do filme, vai pôr a trama toda em pratos limpos. O que é que resta então à segunda metade mostrar? Exactamente...

Através do recurso a câmaras de segurança, o filme parece querer convencer o público de que o governo britânico consegue controlar os cidadãos dentro dos seus próprios lares ou nas casas de banho de estabelecimentos comerciais, sejam estes quais forem. E, pior, não só o governo tem acesso a estes meios, eles também estão, pelos vistos, à disposição de empresários do ramo informativo, os quais até se dão ao luxo de matar, de rosto destapado, à frente dessas câmaras, com total impunidade. Em conclusão, este filme é uma ideia medíocre com um desenvolvimento incapaz. Não admira que o único filme de Paul Oremland remonte a 1998.

Surveillance 24/7 2007

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