Street Thief, de Malik Bader
O único trunfo de Street Thief é a sua total devoção ao conceito de documentário, o que afinal não é. Contudo, para quem assistir ao filme sem o saber, jurará a pé firme que assistiu a um documentário que seguiu, durante o curso de diversos meses, um ladrão profissional, que revelou alguns dos seus segredos e permitiu que o filmassem durante alguns assaltos bem sucedidos e diversos actos preparativos.
Esteticamente credível em todas as suas limitações pela escolha do conceito documental, o filme realizado e protagonizado por Malik Bader peca por um final muito mal embrulhado e pela conclusão de que tudo o que se assistiu até então foi um embuste. Por outras palavras, o filme segue-se na convicção de que haverá algum objectivo para o mesmo, e apenas enquanto se acredita que o pouco a que realmente se assiste é resultado de um verdadeiro documentário. Enquanto obra ficcional, pouco se aproveita de Street Thief para além do simpático vampirismo ao dia a dia de um indivíduo que ganha a vida a maquinar formas de roubar estabelecimentos comerciais na área de Boston, Ilinóis, sem ser apanhado.
O que não há dúvida é de que se trata de um tour de force por parte de Malik Bader, convincente até ao mais ínfimo pormenor. Também são colocadas algumas questões pertinentes sobre a cumplicidade dos documentaristas, que acompanham o ladrão enquanto este destrói propriedade e a rouba, sem intervirem ou chamarem as autoridades. Mas, porque esta onda de cinema verité já aí anda a mostrar as garras há tanto tempo, não há nada como recordar que tudo começou com o magnífico filme belga C’Est Arrivez Prés De Chéz Vous (1992).
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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