Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Sorcerer, de William Friedkin

Remake do filme francês Le Salaire de La Peur (O Preço do Medo, 1953), Sorcerer custou uma fortuna (22 milhões de dólares) e foi um fracasso de bilheteira (12 milhões), em parte devido à concorrência de A Guerra das Estrelas, também em exibição. Houve igualmente quem abandonasse os cinemas sentindo-se defraudado pelo título, já que Sorcerer significa Feiticeiro, mas o filme não lida com o sobrenatural. Esta confusão deveu-se ao facto de o anterior filme de Friedkin ser O Exorcista (1973).
Consta que Steve McQueen estava apaixonado pelo guião, mas exigiu que a sua esposa Ali McGraw fosse incluída no filme, para justificar que esta acompanhasse a produção até à República Dominicana, onde se realizaram as filmagens. A recusa do realizador levou à desistência do actor, substituído por Roy Scheider, que Friedkin já dirigira em Os Incorruptíveis Contra a Droga, de 1971. Anos mais tarde, o realizador veio a arrepender-se da sua decisão, invocando que faltava a Scheider o status de McQueen, cujo nome poderia ter feito do filme um sucesso. A favor de Roy Scheider pode invocar-se que ele fora nomeado para um Oscar de Actor Secundário com Os Incorruptíveis Contra a Droga, encabeçara o elenco de O Tubarão, em 1975, e em 1976 entrara em O Homem da Maratona, ao lado de Dustin Hoffman e Laurence Oliver. Dois anos depois de Sorcerer, Scheider seria novamente nomeado para um Oscar pelo filme All That Jazz.
A rodagem teve inúmeros contratempos, durante os quais o realizador antagonizou a Paramount, produtora do filme, e a cena marcante em que um camião tem de atravessar uma ponte de corda em muito mau estado teve de ser filmada em dois locais diferentes, devido à descida do caudal do rio, com os custos daí decorrentes (a ponte foi um adereço caríssimo, muito elaborado e cheio de medidas de segurança, que custou um milhão de dólares a montar e outro milhão a recolocar no segundo local de filmagem). Infelizmente, o filme não merecia melhor sorte.
A história traça o percurso de quatro criminosos na Nicarágua, que se comprometem a conduzir dois camiões carregados de dinamite instável por um percurso sinuoso e cheio de perigos. Contudo, os primeiros 50 minutos do filme perdem-se em quatro prólogos estanques e inúteis, que apenas servem para indicar as razões para os quatro homens se encontrarem no meio da selva e da lama, a trabalharem sob as piores condições numa planta petrolífera. A versão cinematográfica distribuída na Europa em 1978 começava já na selva, fazendo tábua rasa dos prólogos. Os dois camiões são tão imponentes e medonhos como o que Steven Spielberg utilizara em Duel – Um Assassino Pelas Costas, de 1971, e têm os nomes pintado no dorso: um deles é Lazaro e o outro Sorcerer, de onde foi retirado o título do filme. William Friedkin afirmou que Sorcerer representaria a força do Destino.
Ao cabo de uma hora aborrecida e sem fio condutor, inicia-se a viagem tortuosa, a qual apresenta apenas três dificuldades, cada uma delas despachada em poucos minutos. As cenas apresentam-se demasiado soltas, devido a uma montagem tarefeira (o segmento final da passagem da ponte é abrupto, como se houvesse um corte), o diálogo e a interacção são mínimos e a tensão é muito pouco sentida, ficando a sensação de que as obrigações se cumpriram a correr. Nenhum dos actores se destaca e a personagem de Francisco Rabal permanece indecifrável até ao final. Há também uma noiva no altar com um olho negro, ao qual nunca é feita referência.
O filme marca a primeira incursão da banda electrónica Tangerine Dream na composição para cinema. Curiosamente, a banda nunca chegou a ver as filmagens que musicou, compondo tudo com base num primeiro esboço do guião.
Sorcerer 1977

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker