Quarta-feira, Agosto 20, 2008

O Senhor dos Ladrões, de Richard Claus

Com argumento do próprio realizador, adaptado do romance de Cornelia Funk, dois irmãos separados após a morte da mãe fogem para Veneza, local de que ela lhes falava muito. Órfãos em fuga e sem dinheiro, são resgatados por um adolescente mascarado, que lhes arranja onde dormir, num cinema abandonado onde já habita um punhado de crianças, que subsistem de pequenos furtos. O seu líder intitula-se o Senhor dos Ladrões. Simultaneamente, os tios dos órfãos, que tinham adoptado o sobrinho mais novo mas entregue o mais velho a um orfanato, contratam um detective privado para os encontrar. Isso prova-se a tarefa mais simples deste mundo, mas algumas peripécias forçadas vão impedindo a descoberta de se tornar captura.

A história atira-nos para o meio da acção demasiado depressa, quando se teria ganho com mais alguma interiorização mas, uma vez que o público alvo é o infanto-juvenil, compreende-se que seja necessário prender-lhe a atenção desde cedo. Nesta óptica, o filme não se porta mal. A realização é simpática e fluida, os actores (em larga escala crianças) são competentes e as peripécias e reviravoltas mantém o interesse à tona. De reclamar serão, talvez, alguns efeitos especiais de baixa qualidade, mas como o filme não depende deles e se trata de um projecto de baixo orçamento, as falhas são razoavelmente camufladas. A magia é menor, mas não desaparece.

Rollo Weeks, no papel titular, já trabalhara com o realizador Richard Claus em O Pequeno Vampiro (e entrara em Rapariga com Brinco de Pérola), e Aaron, o órfão mais velho, estava familiarizado com o sistema de Hollywood com filmes como Shangai Knights, pelo que havia segurança nas suas capacidades interpretativas. Cornelia Funk, autora do livro adaptado, aprovou o elenco. Vanessa Redgrave e Caroline Goodall são os rostos mais conhecidos.

Algo que abala a credibilidade no início é o facto de todos os actores falarem um inglês perfeito, o que torna difícil de engolir que sejam italianos. Como os órfãos iniciam a sua fuga de combóio e barco, não sabemos de onde partem, mas como todos os personagens se entendem sem dificuldades linguísticas, é a única forma da narrativa fazer sentido.

Fica uma nota de incredulidade relativamente ao tratamento das crianças, que são por todos os adultos tratadas com desdém e acusadas de ladrões. Veneza deve ser um sítio terrível para se crescer.

The Thief Lord 2006

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