Domingo, Agosto 03, 2008

O Panda do Kung Fu, de Mark Osborne

Antes mesmo que a organização dos Jogos Olímpicos de 2008, na República Popular da China, escolhesse o panda como a sua mascote, já a DreamWorks lhe vestia uns calções remendados e se decidia a transformá-lo de uma gorda anedota num destemido lutador de artes marciais.

O Panda do Kung Fu é, então, uma comédia em desenho animado de um urso panda fofo e bonacheirão que gostava de ser um mestre de kung fu e que vai ter de sobreviver a um curso intensivo de vinte quatro horas para poder enfrentar o mais perigoso de todos os inimigos, um lutador que se evadiu de uma prisão inexpugnável para se apoderar do pergaminho de poderes ilimitados que o destino fez cair nas mãos do primeiro.

Infelizmente, a curiosidade do filme esgota-se na imagem gorducha e desajeitada do urso e nas dificuldades do treino. As restantes personagens são apenas esboçadas e largamente descuradas, com excepção feita ao pequeno mestre Shifu com a voz de Dustin Hoffman, mas até a baixa estatura deste boneco descende descaradamente do velho e verdinho Yoda, mestre de Jedi, soando assim um pouco a requentado. A utilização das vozes de Ian McShane, Angelina Jolie, Lucy Liu, Jackie Chan e Michael Clark Duncan em personagens tão fugazes deverá ter desiludido os próprios; no diário online de Jackie Chan, ele indica ter demorado cinco horas a gravar todas as suas deixas, mas a questão deveria ser como é que demorou tanto. James Hong, no entanto, está excelente como o pai do panda, ele que vimos a parodiar um mestre de ping pong cego no recente Não Me Toques Nas Bolas (2007) e já emprestara a voz à série de desenho animado As Aventuras de Jackie Chan (James Hong pode até ter feito de Dalai Lama num episódio de Kung Fu: A Aventura Continua, com David Carradine, e ter entrado nas séries Dallas, Dinastia e Falcon Crest, as renomadas soap operas dos anos 80, mas será para sempre recordado como o terrível Lo Pang de Jack Burton nas mãos do Mandarim, de John Carpenter). Jack Black faz a voz do Panda Po com uma perna às costas, mas o facto de não se esforçar é também sofrivelmente patente.

Funcionando como uma comédia simpática que aposta francamente no humor físico, não deixa de manifestar discretos laivos mais astutos (como o momento em que o pai do panda lhe decide contar o ingrediente secreto de uma boa massa, mas tudo indicava que lhe iria dizer que não era o seu verdadeiro pai), mas as limitações do projecto são mais do que muitas (nota-se que é uma adaptação americana de um género que lhe é alheio; a história é muito apressada; e os bonecos não são particularmente irresistíveis) e o filme esquece-se assim que acaba.

Kung Fu Panda 2008

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker