Domingo, Agosto 24, 2008

O Destravado do Táxi Amarelo, de Bob Clark

Rhinestone é o nome de uma rocha cristalina, conhecida no mundo da joalharia como um diamante falso, que desde 1940 foi incorporada pelo costureiro Nudie Cohn nos fatos de celebridades como Elvis e Liberace, uma americanização do casaco dos toureiros. O uso de casacos cravejados de rhinestone passou a associar-se à música country desde o êxito de Glen Campbell Rhinestone Cowboy, de 1975, e assim se compreende o título original desta comédia que juntou Sylvester Stallone e Dolly Parton.

Em 1982, Stallone tinha sido Rocky e Rambo e em 1985 voltaria a ser ambos, mas em 1983 acabara de realizar A Febre Continua quando decidiu que o irmão Frank Stallone (que canta algumas canções dessa banda sonora) não era o único com cordas vocais. Claro que todos aqueles que o tinham já ouvido a gritar Adrian no desfecho de Rocky sabiam que o desempenho dessas cordas vocais precisava de muito mais treino do que a musculatura de pugilista, mas Stallone não era homem para desistir de um desafio.

Após ter recusado estrelar Em Busca da Esmeralda Perdida e O Caça Polícias (antes desde ser alterado para uma comédia para Eddie Murphy), rescreveu de tal modo o texto de Rhinestone que o argumentista Phil Alden Robinson (argumentista e realizador de Campo de Sonhos, Sneakers e A Soma de Todos os Medos) considerou retirar-se do projecto. Provavelmente, esta história (de uma cantora country que apostou com o seu patrão que em 15 dias transformava o primeiro que lhe aparecesse num cantor) não tinha estereótipos suficientes.

Na verdade, o argumento até era bastante decente antes de Stallone ter entrado em cena e Dolly Parton já tinha sido contratada. Stallone sentou o responsável pela montagem de Rocky III, Don Zimmerman, na cadeira de realizador, mas o coitado foi despedido ao fim de três semanas por não ter qualquer poder de decisão. Os produtores então chamaram Bob Clark (Porky’s I e II) para rodar o filme sem discutir, e este outro coitado também desconhecia totalmente que a sua carreira terminaria com este fiasco.

Dolly Parton, famosa cantora country e liricista desde os anos 60, estreara-se com sucesso na sétima arte em 1980, escudada por Jane Fonda e Lily Tomlin, na comédia Das Nove Às Cinco (1980), e ao lado de Burt Reynolds na comédia musical A Melhor Casa de Prazer do Texas. Infelizmente, entre ela e Stallone não acende a menor química. Dolly, então com 37 anos (seis meses mais velha do que o actor), parecia mais a mãe deste do que uma possível companheira. Dolly Parton, para além de escrever e interpretar diversas canções do filme, compôs também a banda sonora. Ganhou o Razzie pela Pior Canção Original do Ano (Drinkenstein) e foi nomeada para Pior Canção (Sweet Lovin’ Friends) e Pior Banda Sonora.

O Destravado do Táxi Amarelo é um filme falhado. A história é simplória, os diálogos são tristes, Stallone comporta-se como um palhaço e Dolly Parton aparenta uma dor de dentes atrofiante. Quanto a cantorias, de preferência nem no duche. Apesar da parelha não poder ter sido mais murcha, Dolly Parton, em Dezembro de 2007, declarou ao site fox6.com que não se suicidou durante a rodagem graças a Stallone. Convalescente de uma histeroctomia, a actriz vivia um período de depressão e contemplava diariamente o suicídio, mas a boa disposição diária do actor foi o que a manteve viva.

Rhinestone 1984

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