Sábado, Agosto 23, 2008

The Machine Girl, de Noboru Iguchi

Com o género japonês extreme órfão desde que Takeshi Miike (Ichi O Assassino e Audição) e Ryuhei Kitamura (Versus e Azumi) se lhe distanciaram, Noboru Iguchi traz um novo sentido à expressão “Corta”. Ocasional realizador de filmes pornográficos para a japonesa Soft On Demand, dedicou-se a Machine Girl como a uma manta de retalhos com pedaços de Kill Bill Vol. 1, Evil Dead e Power Rangers e lavando-a em sangue.

A história uma adolescente que move vingança contra uma família Yakuza cujo primogénito matou o irmão mais novo dela é suficientemente lunática para manter um sorriso divertido e a destruição em massa de latex com hemoglobina vai dando conta do tempo, mas o tratamento despreocupado da acção acaba por cansar, apesar do filme apenas exceder a hora e meia de duração em sete minutos. Se ao leme encontrássemos um timoneiro com uma concepção estética que rivalizasse com o que Shynia Tsukamoto visionou para Tetsuo em 1989, e o argumento fosse tratado menos como paródia e mais como um projecto de autor, não ficaria tanto a sensação de que uma engenhosa equipa técnica se limitou a unir alguns pontos em redor dos efeitos especiais com que pretendeu dar a conhecer as suas capacidades.

Os diálogos são pobres e inexpressivos e há muita bota que não bate com a perdigota, como, por exemplo, a Machine Girl disparar rajadas sobre o Pelotão de Luto, em espaço aberto, e não acertar nenhum deles, ou dar a sensação de que são invencíveis, mas um assassino de colete à prova de bala, que nem tiros de metralhadora perfuram, é dali a instantes trespassado por uma espada; o colete era só à prova de... balas?

Estas achegas não reduzem a evidente criatividade e a frescura que atravessa os momentos mais sádicos do filme. Queda, contudo, a estranheza de nada ser arriscado no campo da sexualidade, tanto mais que as protagonistas Minase Yashiro e Asami são modelos de bikini (e Asami é listada como actriz pornográfica). Há especialmente um momento de grande antecipação lésbica que se vê desperdiçado e uma violação de cadáver que se fica pelo texto.

No cômputo geral, Machine Girl não passa de uma comédia sanguinária, assente em amputações, decapitações, esfalelamentos e outras formas de massacre. Minase Yashiro estreia-se na sétima arte com talento e presença, como cabeça de cartaz, e Asami, que também não está mal (é o seu sexto filme), ainda que menos atlética, apresenta a curiosidade de ter apenas 22 anos à data da rodagem e representar a mãe de um dos adolescente de 15 anos.

The Machine Girl 2008

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