Houdini O Último Grande Mágico, de Gillian Armstrong
Drama com Guy Pearce e Catherine Zeta-Jones sobre os últimos dias de vida do grande escapista húngaro Harry Houdini. O filme transporta-nos até 1926, durante uma tour do mágico à Escócia, onde vem a cruzar-se com uma atraente vigarista e a sua filha, dispostas a ganhar o prémio de 10 mil dólares que este oferecia a quem lhe repetisse as últimas três palavras proferidas pela sua querida falecida mãe. Dedicava-se Houdini por essa ocasião a desmistificar scéances e outras práticas de ocultismo, regozijando-se por revelá-las pela fraude que realmente eram.
A realizadora australiana de Mulherzinhas (1994) e de Oscar e Lucinda (1997) acentua o seu olhar feminista, sendo a vigarista e a sua filha personagens mais centrais do que o misterioso Houdini, impregnando-as de força de carácter e falta de escrúpulos, sobrevivendo a todo o custo. Contudo, Houdini revela-se páreo para as duas. Enquanto a mãe procura seduzi-lo e a filha encontrar o seu ponto fraco, o mágico permanece um enigma enquanto brinca com elas. Reside nesta constante dúvida de intenções o melhor deste drama histórico bastante simples e conduzido com sobriedade e etiqueta.
A chegar depois de O Ilusionista e de O Terceiro Passo, ambos de 2006, Houdini O Último Grande Mágico peca por ser apenas simpático e conciso, longe das reviravoltas dos seus precedentes, mas não deixa por isso de ser admirável a sua reconstituição da época nem o ritmo com que imprime o enredo. É verdade que o final faz desequilibrar o projecto, pela sua imprecisão, mas a vida é mesmo assim e os contos de fadas são na porta ao lado.
A Weinstein Company criou a distribuidora Third Rail Releasing, especificando que recairão nesta filmes que o seu presidente, Harvey Weinstein, não acredita serem promissores em retorno de bilheteira. Houdini O Último Grande Mágico é o primeiro projecto distribuído pela Third Rail.
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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