Em Águas Profundas, de Chris Kentis
Baseado numa história verídica ocorrida em 1998, em que um casal de scuba divers americano (
Tom and Eileen Lonergan) é esquecido a 40 milhas da costa, na Austrália, e nunca mais é encontrado. Presume-se que tenham sido atacados por tubarões, mas o seu equipamento, que foi, aos poucos, dando à costa nos seis meses seguintes, não apresentava sinais de dentadas. Chris Kentis e a esposa Estelle Lau reuniram os 130 mil dólares necessários à produção do filme, que a Lionsgate comprou por 2,5 milhões.
Foram usados os nomes próprios dos actores para os personagens principais, ao jeito do Projecto Blair Witch, e os seus apelidos correspondem aos nomes das duas primeiras vítimas do filme Jaws. Os tubarões usados no filme são verdadeiros, e foram alimentados a atum para não sentirem curiosidade pelas pernas dos actores. Stuart Cove, domador de tubarões, recebeu metade do orçamento do filme para velar pelos actores.
Em resumo, o filme tem apenas 76 minutos de duração, segue a história verídica em que se baseia, com o casal a permanecer à deriva durante 24 horas em alto mar, abandonados numa água fria infestada de tubarões, e não se coibe de matar os protagonistas no final, para maior realismo.
Contudo, nunca se viu coisa tão mal filmada, nem com uma câmara que estragasse tanto o ambiente e denunciasse o seu amadorismo e a existência de uma equipa de filmagem a poucos metros de distância do casal à deriva. O ângulo de filmagem é quase sempre ligeiramente elevado, como se do cimo de uma embarcação, e os enquadramentos e close-ups são péssimos, demonstrando uma total ausência de consciência de como fazer cinema. Temos sempre presente, por mais que não o queiramos, que o produto é fabricado, como se um grupo de amigos tivesse decidido fazer um filme nas férias e aquele fosse o resultado. Não temos medo pelos personagens, apenas lamentamos que não nos entretenham mais ou sejam comidos mais cedo.
Open Water 2003
2 Comments:
Acho uma crítica um pouco injusta. O filme foi uma experiência original e inovadora. E apesar dos meios técnicos fraquitos, é uma história bem contada e teve momentos emocionantes.
experiência original e inovadora em que sentido?
primeiro do que tudo, seria necessário criar empatia com os protagonistas. tal não acontece. acompanhamos as suas férias com enfado, porque eles não falam de nada interessante nem são cativantes por natureza, são abandonados no oceano e lá ficam a tiritar.
aceito que, quando estão na água e ainda imaginam que a ajuda vai chegar, sentimos algum interesse no que pode vir a acontecer. mas, terminado o filme, apercebemo-nos de que afinal não aconteceu nada.
li recentemente "On Writing", que é um livro de citações de Hemingway, onde ele diz que o maior erro de um escritor é achar que algo, só porque lhe aconteceu a ele, tem o menor valor literário.
este filme é exactamente isso. basear-se num facto verídico não é suficiente para lhe dar valor. para além de tecnicamente deficiente, falta-lhe alma e personagens com quem nos preocupemos.
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home