Em Bruges, de Martin McDonagh
Simples e inventivo, Em Bruges é uma autêntica pérola, construída em redor de duas personagens centrais e mais algumas que gravitam na sua esfera imediata. Alicerçada nos diálogos mais deliciosos de que há memória, é construída uma história de honra, lealdade e turismo.
Na localidade flamenga de Bruges escondem-se dois assassinos irlandeses, por instrução do seu comando. Enquanto aguardam novidades, distraem-se a visitar os monumentos e a cimentar uma ténue cumplicidade. Devido à diferença de idades de ambos, aquilo que agrada ao mais velho dificilmente desperta o interesse do mais novo e as peripécias na pacata cidade belga são suficientes para nos colocar do seu lado quando as rosas mostram os seus espinhos.
Na primeira longa metragem escrita e realizada por Martin Donagh, de trinta e oito anos, Colin Farrell e Brendan Gleeson não podiam estar mais fabulosos nas suas interpretações, vindo-se apenas a meio do filme a torcer o nariz aos esgares Valdemortianos de Ralph Fiennes. Mas as anedotas de anões, o cenário medieval mais bem preservado da Bélgica e a maturidade dos relacionamentos são mais do que boas razões para um filme que acaba com seis vítimas.
O Evangelho Segundo Cinéfilo

4 Comments:
Olá Ricardo!
Vi este filme há pouco tempo e fiquei muito surpreendida, pois quando vi o trailer pensei que seria uma comédia e, embora esteja presente nalguns momentos, afinal nao é.
Foi um filme um pouco estranho mas gostei.
No final há 6 vítimas, 5 mortais e uma que se fica na dúvida - e aqui pareceu-me que o final fica aberto, talvez para continuar a saga, talvez só para nos deixar a pensar :)
bjnhs
Relativamente ao body count, retirei a informação da trivia do imdb, que pode ou não estar errada. Por mim, acho que o filme pretendeu acabar com todos os intervenientes.
Gostei muito do filme, especialmente porque farrell e Gleeson transmitem uma veracidade contagiante e a sua cumplicidade é sentida por nós como se estivéssemos entre amigos.
Quanto ao sucídio do harry, surpreendeu-me porque julguei que ele fosse varrer os seus princípios para baixo do tapete.
Uma agradável surpresa. Sem dúvida.
Abraço
é daqueles prazeres inesperados, em que não se faz a mais pequena ideia de como será a cena seguinte.
a originalidade é um dos seus pontos fortes.
talvez o próximo seja em portugal :)
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