Dobermann, de Jan Kounen
Escrito e realizado por Jan Kounen, o realizador do confuso Blueberry (2004), em 1997, Dobermann é uma inexplicável alucinação de mau gosto. Impregnado daquela ultra-violência de que falava o protagonista de A Laranja Mecânica, Dobermann juntou-lhe a ultra-idiotice. Sem compreender os ensinamentos de Quentin Tarantino (Pulp Fiction), Kounen parecia mais influenciado por Roger Avary (Killing Zoe, 1994), pondo a tónica no sadismo e brutalizando todos os inocentes com os seus personagens desendentes de Feios, Porcos e Maus. Não há a menor preocupação em trabalhar os personagens para além do cartoon, e entre ladrões badalhocos e polícias peçonhentos, venha o diabo e escolha.
A estética de videoclip recorda os filmes de Luc Besson dos anos 80, mas desde Nikita (1990) que o cinema de Besson fluíra por outros caminhos, como o provam Atlântida ou a obra-prima Léon (1994).
Antes de Vincent Cassel e Monica Bellucci dançarem no abismo para Gaspar Noë (Irreversível, 2002), Jan Kounen fez deles ladrões belicosos, mas tudo é descabido em Dobberman. Até ao desafio do politicamente incorrecto, com um personagem a limpar ao rabo a páginas arrancadas de uma Cahiers do Cinema, revista de cinema intelectual francesa.
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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