Quarta-feira, Agosto 20, 2008

Bad Reputation, de Jim Hemphill


Crítico de cinema enquanto aluno do curso de cinema da USC (Universidade do Sul da Califórnia), Jim Hemphill arranjou trabalho como leitor de guiões (uma espécie de peneirador de talento) para os realizadores RonShelton e David Fincher, mas o seu primeiro e único filme deixa muito a desejar.

Escrito e realizado por Hemphill, Bad Reputation deixa a imagem de tratar-se de um filme caseiro, sem orçamento e com uma história inconsistente. Os actores mais parecem figurantes que abrem a boca e nem se submeteram a casting, tal é a embaraçosa sensação de primeiro ensaio. Não se percebe como pode ter ganho o Prémio do Público no Festival de terror de Chicago de 2005, a menos que só tenha votado meia dúzia de espectadores.

Basicamente, é a história de violação e vingança segundo os moldes dos clássicos I Spit On Your Grave (1978) e Last House on the Left (1972), que já de si eram medíocres, mas à época o tema e a abordagem eram mais impressionáveis. Em Bad Reputation, o capitão da equipa de futebol convida uma colega tímida e introvertida para uma festa porque quer, premeditadamente, experimentar nela o efeito de um comprimido incapacitante e violá-la. Ainda inconsciente, é humilhada pelas namoradas dos três rapazes que a violaram porque, como de costume, a culpa é das oferecidas.

Imprecedente é o que se segue. A mãe da jovem, em vez de acreditar na sua filha introvertida, acusa-a violentamente e até o conselheiro escolar tenta abusar dela. Decidindo que essa foi a gota de água, segue-se a vingança, que inclui a amputação de um pénis e a dilaceração de uma garganta sem que daí resulte o menor sangramento (imagina-se que por razões orçamentais), a introdução de uma magote de lápises num ânus numa mímica que nunca produziria o efeito necessário (e sem sequer tirar os boxers ao sodomizado), meter o corpo de uma vítima numa mala de viagem onde não cabia nem metade do volume do cadáver, previamente cortado aos pedaços com uma faca eléctrica de cortar pão (novamente, sem que a vítima sangre). E estranham-se frases como "No dia em que desapareceu, foi visto a comprar preservativos", quando a personagem se refere ao namorado que não está desaparecido sequer há 24 horas. Uma piada engraçada (para não ser tudo desgraças) é aprotagonista ir a uma festa de Halloween com uma máscara de Jason Voohees (homenageando dois filmes com uma só cajadada).

Em suma, criticar é decididamente mais fácil do que realizar, inclusivamente para alguém formado em cinema e com a profissão de leior de argumentos. Jim Hemphill prova que deveria ter optado pela carreira de caixa de supermercado, e ainda vai a tempo, porque não tem mais nenhum projecto em carteira e já se passaram três anos.

Bad Reputation 2005

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