Quinta-feira, Julho 24, 2008

Tropa de Elite, de José Padilha

Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2008, Tropa de Elite é um eficiente filme de acção, drama e crítica social centrado no BOPE - Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que tem por missão pacificar as favelas onde prolifera o crime e armas militares andam à vista nas mãos dos traficantes de droga.

Num mundo onde a morte espreita a cada passo, o Capitão Nascimento tem um filho a nascer e quer sair da Brigada, mas só o fará quando encontrar um substituto à altura do cargo, o que não é fácil numa instituição policial assente num sistema cujos dirigentes moldam a favor das suas conveniências e onde um polícia honesto é coisa rara. O enredo triparte-se entre o percurso iniciático dos dois polícias que poderão ser os substitutos de Nascimento e o trajecto do próprio Capitão, com uma narração omnipresente que acompanha e não incomoda.

O filme já acendeu a polémica pela sua visão niilista centrada na brutalidade dos métodos policiais, entre os quais a tortura é vista como indispensável e banal para a obtenção de resultados, uma prática diária em situações de risco. Os traficantes de droga são o inimigo a abater e a ideia de cúmplice é a mais lata do dicionário. As favelas são um campo de batalha.

Seja como for, Tropa de Elite é bem construído e emocionante, tem uma realização segura, actores experientes e um argumento que não dá ponto sem nó. Bárbaro e realista, vive no fio da navalha e as suas quase duas horas de duração vêem-se de uma assentada.

Tropa de Elite 2007

11 Comments:

Blogger Rui Luís Lima said...

"Tropa de Elite" ao vencer de forma surpreendente o Festival de Berlin, teve o condão de lançar o debate para além das fronteiras cinematográficas.
Cumprimentos cinéfilos
Rui Luis Lima

7/25/2008 5:45 PM  
Blogger Isabel said...

Um filme bem realista. ;-)

7/27/2008 6:29 PM  
OpenID zeavy said...

Belo filme. Sentido e intenso.

7/28/2008 6:12 PM  
Blogger Susana said...

Gostei do blog :) a diversidade é surpreendente! Parabéns! e continuação de excelente trabalho e óptimas-longas-"caminhadas"-dentro-de-água ;)

7/28/2008 9:50 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Caro Rui,
Já dei uma espreitadela ao seu blog, só não aprofundei porque até escrever a minha crítica ao dark knight não quero ler outras opiniões e a minha está quase a sair, mas com tempo prometo fazê-lo. continue por cá que é muito bem-vindo. parece-me que o leão de berlim serviu antes de mais para que este filme excelente não fosse transformado em filme-maldito pela imprensa americana, o que poderia ter prejudicado a sua exportação global... se bem que já meio mundo tinha visto o filme em cópia pirata antes mesmo de sair nas salas. ajudou também o facto de tropa de elite ter sido produzido com capitais do tio sam, mas isso não o fez perder em nada a sua identidade brasileira. pessoalmente, considero que este filme não rivaliza com cidade de deus, mas também não era a sua intenção :)

Querida Isabel,
como se têm portado estes últimos tempos sem Cine7? Eu por cá continuo no activo :) espero que continues a ler-me e a comentar-me, e se tiveres sugestões não deixes de fazer-mas. um beijinho para as terras algarvias (és de Almancil, certo?) de onde regressei ainda ontem :)***

Amigo Zeavy,
espero que, apesar de agora teres a tua própria revista de cinema, não te esqueças aqui da minha, apesar de ser um pouco mais modesta do que a tua em termos de grafismo. um abraço. também gostei do filme. coeso e conciso. os americanos da variety que o apelidaram de fascista devem ter acordado do lado esquerdo da cama nesse dia :D

Querida Susana,
fiquei muito feliz que tivesses encontrado tempo, entre duas braçadas com boa visibilidade, para me deixares uma palavra de carinho e incentivo. espero voltar a nadar contigo em breve, nem que seja por estas margens :)*

7/30/2008 5:34 PM  
OpenID zeavy said...

Sou visitante regular deste teu espaço. :)

Leste a entrevista ao André Ramiro?

7/30/2008 8:27 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

amigo Zeavy, tenho de confessar que tenho muita preguiça de ler a take.

não me leves a mal, mas considero a ideia gráfica da revista, apesar de muito bonita do ponto de vista da inovação estética, pouco prática.

o zoom é uma ferramenta insuficiente, porque tem de ser activado página a página.

já desisti de ler as críticas, porque as primeiras que tentei eram péssimas, tanto do ponto de vista da forma como do conteudo. ninguém arrisca e ninguém escreve com coração. textos murchos não me dão pica, especialmente porque quando a take sai já li as críticas da empire, da film review, da E! e até, muitas vezes, as do Público.

além disso, quando a take sai já vi os filmes todos, pelo que ler as críticas já não será pela curiosidade despertada pelo filme.

com isso, acabo infelizmente por deixar escapar o resto. mas, por descargo de consciência, folheio sempre a revista de fio a pavio, para saber as estreias previstas, tanto de cinema como de dvd.

7/30/2008 8:59 PM  
OpenID zeavy said...

Realmente é pena só olhares para as críticas quando lá há muito mais.

A ideia não é leres a revista toda no site, mas sim fazeres o download do pdf e leres (ou imprimires) off-line. Também sei que não gostas de pdfs... mas pronto. :)

As edições lá estarão, um dia que te dê praí é só espreitares. :)

7/30/2008 9:43 PM  
Blogger Susana said...

Estou a ver que não se perde tempo por aí!... além do desporto não descuras a cultura e o lazer - tão importantes para nos darem novos sentidos e sensações à vida!
p.s.: ontem já fui nadar "bem equipada"! :) foi divertida a sensação de "descoberta" com esta idade :D *

7/31/2008 8:07 PM  
Anonymous jokerine said...

oi ricardo.
Estive a "dar uma espreitadela" no seu blog. Inacreditavelmente o unico filme k eu esperava k falasse mal foi o k falou bem. Na realidade, achei o tropa de elite deveras decepcionante. Esperava, como é óbvio, o confronto brutal exibido em todo o filme, mas também esperava um ou outro momento cómico k suavisasse a situação (ou seja, um momento para respirar no meio de 2h a suster a respiração) algo que acontece com frequência na cidade de deus e outros. Também achei o final demasiado abrupto. Depois de tanta brutalidade explicita merecia um final mais conclusivo. A falta do mesmo so tornou o filme em exibição de violencia gratuita e pouca moral.

3/13/2009 11:13 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Cara Jokerine,

talvez o nosso conceito de sentido de humor seja diferente, pois eu encontrei algumas doses polvilhadas pelo filme. Contudo, se um filme nos quer fazer sentir o medo e a tensão num ambinte explosivo e compreender bem o drama do capitão nascimento, é bom que realmente não tenha muito humor, porque a vida dele também não.

o final é abrupto para ficar em aberto, para não nos permitir descansar. num mundo de violência, até o pacifista vira violento? isso fica ao critério de cada um.

achei que o filme tinha garra. suga-nos para dentro da acção. e isso é mais do que se pode dizer de muito do cinema mundial.

obrigado por me ler. continue :)

3/13/2009 11:23 AM  

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