Shelter, de Jonah Markowitz
Primeiro filme do canal de televisão por cabo gay Here!, é mais uma história de descoberta sexual por parte de um jovem surfista nas horas vagas, tratada de forma branda, desculpatória e pouco convincente.
Um jovem pintor de stencils sonha com uma vida nas belas-artes, dificultada pelo egoísmo da irmã que, mãe ausente, deixa com ele o seu filho pequeno para ir divertir-se, um pai que se limita a dormir depois de um acidente de trabalho que lhe debilitou a coluna e um emprego a fritar hamburgers. O regresso do irmão mais velho do seu melhor amigo propicia uma escapadela, e o filme detém-se muito ao de leve no estigma social da homossexualidade, mas varre todos os problemas para baixo do tapete. O melhor amigo, quando descobre, aceita o facto, a ex-namorada dele diz-lhe que sempre soube da sua tendência e não tem mal nenhum, a irmã é a única que o recrimina, mas como ficou bem claro que ela é uma cabra egoísta, claro que não se lhe vai dar crédito nenhum.
Os protagonistas do romance gay são estereótipos até à prancha, pecando por serem surfistas sem corpos de adónis, que dão beijinhos nos lábios mas nunca usam as línguas, não andam de mãos dadas quando há mais gente presente e merecem ser felizes apenas porque, simplesmente, toda a gente merece ser feliz. A única cena de sexo entre ambos é cheia de afectos mas não tem a menor animalidade; parece ausente de desejo, como se os amantes apenas quisessem abraçarem-se.
Escapa deste romance de cordel, previsível e simpático (a pedir aceitação generalizada), a excelente fotografia de Joseph White, nomeadamente nas cenas aquáticas.
Shelter 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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