Quinta-feira, Julho 24, 2008

Rendição Incondicional 2, de Corey Yuen

Corey Yuen é no mundo ocidental do século XXI mais conhecido por O Transportador (2002) e DOA: Guerreiras Mortais (2006), mas desde 1981 que, em Hong Kong, é realizador de filmes de acção e coreógrafo de luta. Após ter dirigido Jean Claude Van Damme no seu primeiro grande papel, no filme Rendição Incondicional (1986), deu por si sem o actor no primeiro dia de filmagens da sequela. Van Damme considerara que o filme não faria avançar a sua carreira e convenceu Kurt McKinney a fazer o mesmo. Corey Yuen viu-se na emergência de rescrever o argumento e de arranjar um novo protagonista. O actor escolhido foi Loren Avedon, que atendeu o telefone quando a produtora contactou o dojo onde treinava, à procura de lutadores promissores, e se propôs para uma audição.

Loren Avedon é uma escolha curiosa. Primeiro, porque é franzino, depois porque a sua primeira luta, a cerca de cinco minutos de filme, é medíocre, especialmente porque tem lugar logo após um bailado com ímpeto por parte de Cynthia Rothrock, que há altura já tinha oito filmes em carteira e muitos títulos de artes marciais, incluindo um que permanece imbatível até hoje, em katas. Contudo, a prestação de Avedon (7º Dan em Tae Kwon Do) melhora exponencialmente a partir da segunda prestação. Aqui, com três adversários, ele subitamente parece uma mola, demonstrando habilidades inesperadas e uma boa capacidade em cumprir coreografias elaboradas. Nas duas lutas seguintes, o processo repete-se. Rothrock tem também uma rápida mas acrobática segunda luta. Infelizmente, o vilão que substitui Van Damme como o russo imbatível é o estreante Mattias Hues, que não sabe representar nem lutar. É alto e musculado, e aparentemente isso foi o suficiente.

No Retreat No Surrender 2 é um péssimo filme de acção. Os actores são maus: os olhos brilhantes de Loren Avedon traem alguém com a sensação de estar num parque de diversões, Cynthia Rothrok é muito teatral e Mattias Hues é a imagem acabada da inépcia total. Aparte as cenas de artes maricias, o filme é uma nulidade. Fazendo totalmente tábua rasa da história do filme original, temos agora soldados russos no Camboja, que raptaram a namorada tailandesa do herói e ele qué-la de volta; com a ajuda de um amigo traficante de armas, atravessa a selva para se vingar. Em vez de gastarem dinheiro em tantas explosões sem necessidade, deveriam ter-se dedicado a um enredo que funcionasse e a actores que soubessem representar.

No Retreat No Surrender II Raging Thunder 1988

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