Terça-feira, Julho 15, 2008

O Reino Proibido, de Rob Minkoff

O Reino Proibido começa e acaba como uma versão estereotipada de Karate Kid e no meio desenvolve uma história mística, na tradição Wushu, em que um guerreiro imortal permanecerá transformado numa estátua de pedra até que lhe seja devolvido o seu bastão sagrado, após cair na armadilha de uma maligno imperador. Numa espécie de Oz, é a um adolescente americano, introvertido e franzino, que cabe inadvertidamente a missão de devolver o bastão ao imortal. Pelo caminho, vai encontrar alguns companheiros que o ajudarão a completar a tarefa. Claro que, pelo meio, tem direito a um curso rápido de kung fu, destinado a arrancar algumas gargalhadas.

John Fusco, autor do argumento, é um escritor publicado e autor dos argumentos de Crossroads (1986), Jovens Pistoleiros (1988), Corrida Para a Morte (1990)Thunderheart (1992) e Hidalgo (2004). Para O Reino Proibido, baseou-se num dos expoentes máximos da literatura chinesa, Viagem Para Oeste, mas convém não esquecer que o desenho animado Dragonball Z também se baseia na mesma obra. Os personagens do filme não vêm todos da mitologia chinesa, mas também de uma fantasia do século XVI (o Rei Macaco) e do pulp do século XX, casos da Pardal Dourado e da Demónio de Cabelo Branco. Independentemente destas referências que soam mais importantes do que são, assiste-se a uma total ausência de profundidade narrativa, ficando patente que o público-alvo é infantil e imaturo, ao contrário de O Tigre e o Dragão ou O Segredo dos Punhais Voadores. O Reino Proibido é, afinal, apenas uma diversão simples e despretensiosa, com artes marciais à mistura.

O realizador de O Rei Leão (1995) e de Stuart Little I (1999) e II (2002) dirige esta peça de ensemble num estilo próximo do de Zhang Yimou e Feng Xiaogang (provavelmente por tê-los estudado), mas sem perder tempo com pétalas coloridas longas vestes ondulantes, porque a sua escola é a de Hollywood e as batatas, em vez de decoradas, são amassadas.

Nesta primeira colaboração entre Jackie Chan e Jet Li, o primeiro mantém a jovialidade de sempre e o segundo a pose monástica que lhe é habitual. Ambos se passeiam pelas coreografias de luta de Woo-ping Yuen (que já trabalhara com ambos actores antes destes invadirem o mercado americano e ele próprio fazer a transição com Matrix) com naturalidade, mas a verdade é que, exceptuando talvez a única luta entre ambos os mestres, não há uma única cena que fique na retina. A justificação apresentada por Jackie Chan para entrar neste projecto (e já ter outro em vista para partilhar a tela com Jet Li) é que o género, pelo panorama actual, morrerá com eles, visto que não há ninguém a quem deixar o legado. Isso, sim, é pena.

The Forbidden Kingdom 2008

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