O Incrível Hulk (1977), de Kenneth Johnson

Motivado pela sua própria incapacidade em salvar a mulher num acidente de automóvel, o cientista David Banner (em vez de Bruce Banner, nome original do personagem, alterado por o considerarem demasiado gay; a escolha de David deveu-se a ser o nome do filho do realizador) procura identificar o denominador comum entre os sujeitos do seu estudo sobre pessoas normais que manifestaram uma força extraordinária num momento de crise. Esse elemento, descobre, é a larga dose de substância gamma no ADN, sendo o seu extremamente baixo. Testando a sua teoria em si próprio, o cientista provoca uma descarga de radiação gamma laboratorial. Nada parece acontecer, mas nessa noite chuvosa um pneu furado vai irritá-lo... e transformá-lo em Hulk.
O que Arnold Schwarzenegger não se deve ter rido às custas de Lou Ferrigno. À época, Schwarzenegger ainda não tinha sido Conan (1982) nem Terminator (1984), mas já fora Hercules em 1970 (Hercules em Nova Iorque) e ganhara um Globo de Ouro em 1976 pelo seu papel em Stay Hungry, contracenando com Jeff Bridges e Sally Field. No ano de 1977, estrelou naquele que é até hoje o mais bem concebido documentário sobre culturismo, um filme que cobriu o evento do Mr. Olympia 1975, na África do Sul, que opusera Schwarzenegger a Lou Ferrigno (entre outros), competição que Arnold ganhou pela sexta vez consecutiva. Lou Ferrigno em Hulk é... uma prestação muito pobre. Apesar de ser contratado para substituir Richard Kiel (o Jaws em diversos filmes de James Bond), que os produtores acharam pouco volumoso, Ferrigno não passa de uma massa de músculos redondos e sem definição. A peruca de espanador e a testa postiça com sobrancelhas falsas coladas também não ajudou à festa de um homem já de si com ar de imbecil. O facto de o seu papel ser totalmente mudo (salvando-se alguns grunhidos avulsos) ainda marca mais o seu ar de mongolóide, que quer partir coisas mas... o orçamento não permite.
Bill Bixby, no papel de David Banner, é rei e senhor do filme. É o seu jeito despachado e decidido que domina o ecrã, especialmente quando o partilha com a actriz Susan Sullivan (Falcon Crest e Dharma e Greg), de respeitável blusa transparente com bolsos negros a cobrir os mamilos. Bixby, que faleceu três anos após Hulk (um telefilme de 1990 intitulou-se A Morte do Incrível Hulk), era um homem da televisão desde 1961 e fez de David Banner uma segunda pele. Com carisma e charme, conduziu a parte inteligente e humana do Monstro como um verdadeiro Dr. Jeckyll. Um jornalista abelhudo fecha o ramalhete de personagens, precipitando os acontecimentos climáticos e vendo Hulk a curta distância.
O filme, contudo, é extremamente pobre. Nos trinta e sete minutos antes da primeira aparição de Hulk, Banner debate-se com flashbacks do acidente da esposa, cujo carro ele não conseguiu virar para retirá-la do interior do carro em chamas, e alguns discursos de pseudo-ciência. A primeira transformação desilude. A criatura tem imensa dificuldade em virar um automóvel, não dá saltos gigantescos (opta por caminhar) e é ferido por um tiro de caçadeira que lhe atravessa o braço de um lado ao outro e deixa uma marca de sangre. Numa segunda aparição, dentro de uma câmara de compressão do laboratório, amolga a chapa para sair e é depois amolecido pelas palavras da Dra. Elaina, parceira de pesquisa do Dr. Banner. A terceira e derradeira entrada em cena de Hulk é também pindérica, tanto mais que ele, mesmo arrebentando parte de uma parede para entrar no laboratório e salvar a Dra. Elaina de um incêndio, é mal sucedido. Conseguiu extraí-la antes da explosão do laboratório, mas ela já falecera. O twist final é que o funeral da Dra. Elaina tem duas lápides, já que foi igualmente declarado o óbito do Dr. Banner.
Em suma, o filme é lento, falho em situações emocionantes e Hulk não tem, sequer pele à prova de bala. A primeira pessoa que Hulk vê é uma menina, junto a um lago, que se assusta com ele. Os argumentistas devem ter assistido ao Monstro de Frankenstein com Boris Karloff na véspera...
Na série de programação semanal que se seguiria no ano seguinte, o Dr. David Banner viria a tornar-se numa mistura de O Fugitivo, Um Anjo na Terra e até Zatoichi, o samurai cego. A característica comum era o herói andar incógnito, até certa medida fugido da lei, parando de localidade em localidade e ajudando aqueles com quem se cruzava no seu percurso. Duas vezes por episódio, invariavelmente, zangava-se e dava lugar a um Lou Ferrigno pulverizado de verde.
O Evangelho Segundo Cinéfilo

10 Comments:
o incrível hulk de 1977 de kenneth johnson , apesar de ser pouco baseado nos quadrinhos mas ter uma temática mais realista sem exageros é muito bom.
A prova é de que foram gravados 83 episódios da série com o foco do sucesso nos bons roteiros de temática social.
acredito que se o foco social não tivesse sido o centro pricipal das tramas , o seriado não teria decolado , haja vista que desenho animado , bastou as duas crias digitais e deu no que deu.
Pode ser "pobre de emoções", tosco e tudo mais...Mas eu gosto, marcou a minha infância e de muitos mais no mundo todo e ponto final.
roberto, pontos finais escreves no teu blog, porque aqui quem trata da pontuação sou eu.
na infância tudo parece muito bom, é preciso ter consciência e reavaliar numa idade mais adulta. se gostaste tanto, volta a ver o filme e a série. foi o que eu fiz.
oh genesio, a série não é prova de coisíssima nenhuma, porque quem viu a série pode nem ter visto o filme.
o filme é muito fraco, mesmo para os padrões da época. 3 actores e um figurante verde a engonharem durante hora e meia.
até o corpo do lou ferrigno está uma bosta. no regresso do hulk, já nos anos 80, numa aventura com o poderoso thor, aí, sim.
a série o incrivel hulk e seus dois filmes anteriores O INCRIVEL HULK DE 1977 & MORTE EM FAMILIA são os únicos bem produzidos por kenneth johnson e equipe onde com roteiros bem trabalhados e uma temática social variada fez jus a audiencia espetacular pelo menos no brasil e acredito que mundialmente tambem.
agora os telefilmes pos série não condiz com a qualidade do aval do kenneth johnson em nehum momento, os tres filmes pos série so servem pra relembrar a atuação da dupla e somente isso , porque em matéria de roteiro é uma palhaçada pra doido aplaudir.
não troco a qualidade dos roteiros do filme e da série de 70 por um amontoado de efeitos que servem apenas pra iludir um bom roteiro no filme.
"Ferrigno não passa de uma massa de músculos redondos e sem definição. A peruca de espanador e a testa postiça com sobrancelhas falsas coladas também não ajudou à festa de um homem já de si com ar de imbecil."
Quem foi o viado q digitou uma merda dessa
Bom o infeliz que escreveu isso não passa de um nerd magrelo que começou a fazer academia a 1 mês e se acha o fodão frango de academia vsf
1º ar de imbecil qm tem eh vc nerdzinho de merda inveja...
2º vc tem capacidade de competir com Arnold Schwarzenegger???
3º Músculos redondos e sem definição não ficaria nem entre os 10 primeiros do Mr Olympia, Lou ficou em 3º sendo que o primeiro foi Arnold Schwarzenegger o único
Bom se o infeliz que fez isso gosta do Schwarzenegger assim como 99.999999 pct das pessoas que começam a fazer academia td bem tds nos adoram ele assim como eu,
Mas destratar Ferrigno eu ñ acredito q li uma merda dessa ateh hj Ferrigno eh um dos fisiculturistas mais lembrados e conceituados do mundo só Schwarzenegger eh melhor e Colemam o único q pode ser tão conceituado como ele.
Passar bem.
feri os teus sentimentos, bebé?
schwarzenegger disse uma vez que em nenhum filme da sua carreira se mostrou ao seu nível de competição, porque a intensidade de treino era muito inferior para o cinema e não importava estar a nível olímpico.
Mr T está com um físico impressionantemente musculado no filme Rocky III, mas não vale nada na série A Team.
Lou Ferrigno, para aparecer em três peidinhos ao longo do filme Hulk de 1977, está claramente em baixo de forma.
Por outro lado, o corpo de Ferrigno está muito mais decente em 1988, no Regresso do Incrível Hulk.
Esse tal de Ricardo Lopes só falou merda, muita idiotice. Se você não sabe Lou Ferrigno em 1977 estava em um dos seus auges físicos cara, 2 anos antes ele era um dos finalistas do mais importante campeonato do mundo. O cara era grande e definido, tinha a sua melhor definição muscular, muito mais do que no filme que você citou, vai pesquisar antes de falar porcaria.
Lou Ferrigno ? 146 kg,62 cm de braço, 198 cm de altura, 10 cm maior q Arnold, altamente definido a nível de competição nesse período, só atingindo maior patamar de definição nas competições dos anos "90"... Seu comentário sobre a condição física dele foi MT infeliz ...
em Portugal , o q vcs chamam de "BOSTA" ?
O.o
Lou Ferrigno ficou em 3º lugar no Mr Olympia de 1975. Entre esse ano e Hulk não voltou a competir. Perdeu corpo.
Só voltou a competir em 1992 e 1993 e ficou em 10º e em 12º lugares. Isso não é entre os primeiros.
se gostam de culturismo, leiam as críticas a Pumping Iron, Raw Iron e Stand Tall. Esté é sobre Ferrigno, neandertal surdo-mudo que voltou a competir aos 43 anos, contra homens mais velhos que ele... e perdeu.
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