Sábado, Julho 19, 2008

A Máquina de Sharky, de Burt Reynolds

Baseado no primeiro romance escrito por William Diehl (também autor do livro em que se baseou A Raiz do Medo, de 1996), Burt Reynolds realizou e interpretou um modesto e discreto policial que segue a cartilha dos policiais maçadores sem se desviar um milímetro. Um polícia duro da Divisão de Narcóticos é despromovido para o Departamento de Vício e, ao escutar as chamadas de uma call girl e um candidato a governador, decide desmontar uma rede de prostituição com ligações políticas, assassinatos a soldo e uma pindérica ninja-exploitation. Claro que no fim o herói borra a pintura aos vilões e fica com a call girl, o que, diga-se de passagem, é politicamente incorrecto, mas sendo ela a actriz Rachel Ward, ninguém levou a mal (distraídos que estávamos com o estranho timbre da sua voz, estranhamente próximo do de Marlee Matlin).

O nome de Burt Reynolds, à época, já era imagem de marca, mas os seus tempos de Gunsmoke (1962 a 1965), Hawk (1966) ou Dan August (1970-71) já se perdiam na distância, assim como o filme que o fez transpor a barreira entre o pequeno ecrã e a tela, Deliverance (1972). Burt Reynolds era agora igualmente associado a canastrão mulherengo, e a pança que se lhe nota sobre o cinto, em A Máquina de Sharky, não ajuda a manter o perfil de duro, especialmente quando Clint Eastwood, a batê-lo aos pontos com a saga Dirty Harry, se mantinha numa forma invejável (Cidade Escaldante, de 2004, juntou ambos actores, mas num tom de sátira típico de Blake Edwards). Em 1987, Reynolds ainda tentou chegar à tona como ex-CIA Malone, mas a década de 80 pertenceu a Sylvester Stallone e a Arnold Schwarzenegger.

A Máquina de Sharky é um pastelão cansado, sem ritmo, ambiente ou desenvolvimento ao nível das motivações dos personagens. Assiste-se a uma boa camaradagem entre Starky e os seus homens (a Máquina), mas a história não funciona para além do bocejo. O romance entre Sharky e a call girl é extremamente improvável e mal esboçado. Ficou para a história, salve-se, o recorde de queda sem cabos, por parte de um duplo através da janela dos andares de topo do Hotel Westin Peachtree Plaza de Atlanta, mas apenas o início da queda foi aproveitado, sendo claramente usado um boneco para o restante da cena.

Está em produção desde 2006 um remake deste filme, previamente agendado para 2008, mas actualmente previsto para 2010, realizado por Phil Joanou e produzido por Mark Wahlberg.

Sharky's Machine 1981

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