O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel
O terceiro filme de Julian Schnabel tem a mesma intensidade que os anteriores (Antes Que Anoiteça e Basquiat), mas é filmado com uma frescura e originalidade que só a experiência poderiam garantir. Schnabel é intuitivo na forma como transmite a vida sentida por Jean-Dominique Bauby, director da revista Elle que, em virtude de um AVC, deu por si tetraplégico. A única parte do seu corpo que movia era o olho esquerdo, e foi necessário muito esforço para que a lucidez lhe permitisse controlar esse olho de modo a poder “ditar” um livro sobre si e sobre o que era sentir-se dentro de um escafandro, totalmente impotente, a piscar o olho uma vez para “sim” e duas vezes para “não”.
Vermos a realidade através da percepção do protagonista é um artifício imprescindível ao funcionamento da magia deste filme, que alia os pensamentos de Bauby face à adversidade com que se debate, mas não se esquece de encher aqueles que o rodeia de tridimensionalidade. A auxiliar de comunicação e a ex-mulher são dois elementos que engrandecem o filme, especialmente pela forma como ambas actrizes agarram os seus papeis. Marie-Josée Croze (a única mulher que Steven Spielberg desnudou em toda a sua carreira, em Munique) é absolutamente cativante com a sua boa vontade, e Emmanuelle Seigner transmite uma grandeza inusitada à sofrida e voluntariosa ex-mulher (e pensar que ela, esposa de Roman Polanski desde 1989, foi tão criticada no início da sua carreira).
Johnny Depp só não representou Bauby devido a impossibilidade de agenda (filmagens de Piratas das Caraíbas Nos Confins do Mundo), mas Mathieu Amalric porta-se à altura do exigido, tanto nos flashbacks em que nos mostra quem realmente é, como na difícil missão de dar vida a um corpo estático; e é a sua voz off que desvela os pensamentos que martirizam e movem tanto personagem como a acção. Por considerar que o filme não deveria ser falado em inglês, Julian Schnabel contrariou os produtores e chegou a aprender francês para melhor o dirigir. O resultado é de encantamento, num filme que poderia ter sido pesado e cabisbaixo. Por esse feito, Schnabel ganhou o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes 2007.
Ainda assim, O Escafandro e a Borboleta perde para Mar Adentro, de Alejandro Amenabar, enquanto visão de um paraplégico e o seu entendimento sobre a vida. Filmes completamente diferentes, é certo, mas que pela condição do seu protagonista se intersectam.
The Diving Bell And The Butterfly
FÓRUM INTERACTIVO DE CRÍTICA E OPINIÃO CONSTRUTIVA
SOBRE O QUE DE MELHOR E PIOR PASSA NAS TELAS PORTUGUESAS !!! ISTO É QUE É CINEMA !!!

2 Comments:
O cara vai fazer uma critica ao filme e nao sabe nem a condição do personagem... Paraplegica é uma pessoa que não anda, tetraplegica é que nao tem movimentos dos 4 (tetra) membros... Eu tbm nao sei oq ele é, mas paraplegico passou foi longe...
crítico de cinema tem de ser médico?
"A única parte do seu corpo que movia era o olho esquerdo" não chegou para perceberes o problema físico do personagem?
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